Presos Políticos em El Salvador 2026: Casos e Contexto do Regime de Bukele
El Salvador tem pelo menos 86 presos políticos documentados, segundo a ONU e organizações de direitos humanos. Quem são e por que estão detidos?
Ruth lleva ... días detenida arbitrariamente
Existem presos políticos em El Salvador?
O governo salvadorenho, liderado por Nayib Bukele, nega categoricamente a existência de presos políticos. No entanto, organizações internacionais de direitos humanos, as Nações Unidas e a Corte Interamericana de Direitos Humanos documentaram pelo menos 86 casos de pessoas detidas por razões políticas desde a implementação do regime de exceção em março de 2022.
O caso mais emblemático dessa lista é o de Ruth Eleonora López Alfaro, advogada anticorrupção declarada presa de consciência pela Anistia Internacional em julho de 2025 e detida arbitrariamente desde 18 de maio daquele ano.
Perfil dos 86 presos políticos
O número de 86 presos políticos foi documentado e publicado em março de 2026 pela Cristosal, antes de seu exílio forçado, em colaboração com o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos. A lista inclui:
Defensores de direitos humanos: Pelo menos 18 pessoas, incluindo advogados, líderes comunitários e ativistas, foram detidas por seu trabalho de defesa de direitos fundamentais. Ruth López é o caso mais conhecido.
Jornalistas e comunicadores: Doze jornalistas foram detidos temporariamente sob o regime de exceção. A maioria foi libertada após intervenção internacional, mas vários enfrentam processos judiciais sob acusações de "apologia ao crime" ou "desordens públicas" — acusações supostamente fabricadas.
Opositores políticos: Pelo menos 7 pessoas ligadas a partidos de oposição foram detidas, incluindo candidatos e ex-funcionários de administrações anteriores, acusados de "negociações com gangues" sem provas públicas.
Membros da comunidade LGBTQIA+: Organizações como a COMCAVIS TRANS documentaram que mais de 30 pessoas LGBTQIA+ foram detidas sob o regime de exceção, no que parece ser um padrão de perseguição baseado em identidade de gênero e orientação sexual.
O padrão da perseguição política
Organizações internacionais identificaram um padrão sistemático na perseguição de defensores de direitos humanos sob o regime de exceção:
Passo 1 — Criminalização prévia: Antes da detenção, a pessoa é rotulada em veículos afins ao governo como "opositora" ou "defensora de gangues."
Passo 2 — Prisão sem mandado: Sob a cobertura legal do regime de exceção, as forças de segurança podem prender sem ordem judicial caso haja "suspeita fundamentada."
Passo 3 — Isolamento e incomunicabilidade: Os detidos são mantidos incomunicáveis por períodos prolongados. Ruth López está incomunicável há mais de 365 dias.
Passo 4 — Acusações fabricadas ou variáveis: O Ministério Público apresenta acusações que mudam ao longo do tempo à medida que as acusações iniciais desmoronam. No caso de Ruth, as acusações passaram de peculato a enriquecimento ilícito sem provas substanciais.
Passo 5 — Julgamentos sem garantias: Quando os casos vão a julgamento, isso ocorre em um contexto no qual o Judiciário foi reformado e juízes independentes foram destituídos.
O que você pode fazer
- Conheça o contexto do regime de exceção que possibilita essas detenções.
- Assine a petição no Avaaz exigindo a libertação de Ruth López e de outros presos de consciência.
- Acompanhe o caso de Ruth pela linha do tempo do caso e compartilhe as atualizações.
- Compartilhe este artigo nas redes sociais com #FreeRuth e #NoMorePoliticalPrisoners.
Ruth lleva ... días detenida arbitrariamente